Formação pode derrubar acidentes sobre duas rodas, segundo pesquisadora

Os acidentes envolvendo motociclistas e ciclistas são alarmantes, conforme revela levantamento do Ministério da Saúde. Só em 2014, das 205 mil internações de vítimas da violência no trânsito, 105 mil eram motociclistas ou ciclistas. Para a doutora em Engenharia de Produção e Transportes pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Raquel Holz, falta formação educacional para reverter esse cenário.

Especialista defende que aulas práticas para motociclistas aconteçam nas ruas
Especialista defende que aulas práticas para motociclistas aconteçam nas ruas

“Esquecemos que o recém-habilitado não tem ainda experiência suficiente para aplicar o que aprendeu no processo de formação. E talvez este seja um dos fatores que mais contribuam para a grande participação de motociclistas nas estatísticas de acidentes de trânsito do Brasil”. Ela acrescenta que é preciso reavaliar o projeto pedagógico do processo de formação. “Aqui no Brasil, o que geralmente acontece, é que é destinado pouco tempo para a aprendizagem na primeira aula prática para conhecer os fundamentos do veículo”.

A especialista defende a aula prática de candidatos à habilitação na categoria A em vias públicas. Em 2014, ela realizou um estudo no Rio Grande do Sul para avaliar a influência dos acidentes pela falta de prática dos condutores de motocicletas. “Estudos realizados em simuladores de risco sinalizaram que motociclistas iniciantes possuem uma percepção de risco menos desenvolvida do que aqueles com experiência”, defende Raquel em trecho do trabalho. Ela disse ainda que o estudo “Percepção de risco de motociclistas infratores” realizado com condutores inexperientes de motocicletas e automóveis também revelou percentuais mais elevados na identificação e análise dos riscos em condutores experientes. “Pode-se inferir que a experiência que o condutor aprendiz obteria na realização de aula prática em via pública seria fundamental para aguçar sua percepção e assim ter uma melhor conduta”, explica.

Na avaliação do presidente do Instituto Sobre Rodas, Jaime Nazário, outras questões devem ser levadas em conta na formação do motociclista.

“O processo de formação de motociclistas é muito deficitário em vários aspectos. Fundamentos de pilotagem não chegam a ser ensinados, como parada e arrancada em aclives, ou são muito mal ensinados, como uso do freio dianteiro”. Para Nazário, não é tão simples quanto parece melhorar o atual processo, principalmente em relação à circulação dos novos motociclistas em vias públicas. “Como todo processo educacional, existem medidas de curto prazo que poderiam melhorar o nível de formação, como alterar a pista para melhor contemplar a prática de parada e arrancada em aclives e frenagem com a roda dianteira, por exemplo. O uso de bons simuladores de trânsito também seria muito útil, bem como de outros artefatos tecnológicos que poderiam trazer melhor segurança para o processo de ensino”, avalia.

Formação para ciclistas começa na infância
Tramita na Câmara de Vereadores proposta de instituir na capital mineira o curso facultativo e gratuito para capacitação de usuários de bicicletas. Na opinião de Mariana da Silveira, mestra em Engenharia de Transportes, a capacitação do ciclista é importante, porém deveria ser realizada ainda na infância. “Em cidades que são referência em bikes no mundo já existe essa formação, não só no que se refere ao ciclismo, mas no sentido de as crianças aprenderem sobre a hierarquia de cada veículo. Por exemplo, o motorista não costuma ver o ciclista como condutor de outro meio de transporte”, explica.

Para o diretor-presidente da União dos Ciclistas do Brasil, André Soares, os adultos precisam mudar a mentalidade da população por meio de campanhas educativas que incentivem a convivência pacífica e humanizada no trânsito, aliada a uma punição severa aos condutores de veículos motorizados que causarem acidentes aos de propulsão humana. “O próprio centro de formação de condutores deveria dedicar atenção especial para os cuidados com o ciclista durante as aulas teóricas. Em alguns estados brasileiros, já são obrigatórias duas questões na prova teórica envolvendo bicicleta, o que é um avanço”, finaliza

Fonte: Radar Nacional

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